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A diretora carioca Isa Albuquerque reuniu em
Histórias do Olhar quatro dramas pessoais
unidos por uma tese provocadora: a beleza não
é fundamental e, pior ainda, traz a
infelicidade para homens e mulheres que se
destacam dos demais por seus belos rostos e
corpos.
São
histórias curtas identificadas por quatro
sentimentos: inveja, rancor, medo e amor,
todos desencadeados pelo olhar despertado pela
beleza.
É
possível identificar na construção do
roteiro de cada episódio - a cargo da própria
diretora, de Duba Elia e de Ana Lúcia Andrade
- ingredientes comuns do universo de Nelson
Rodrigues e do contista curitibano Dalton
Trevisan, sempre com alguma dose de crueldade.
É
o caso de Medo, a terceira história do filme,
com algumas pitadas rodrigueanas e que mostra
o pavor enfrentado pela adolescente Beatriz
(Fernanda Maiorano), uma lolita assediada pelo
professor de português e namorado de sua mãe,
pelo porteiro do prédio onde mora e por um
fotógrafo.
Mas,
ao contrário da personagem do escritor russo
Vladmir Nabokov, Bia não provoca
deliberadamente os homens mais velhos para
deles tirar proveito. No caso da menina
carioca, sua beleza, que tanto desperta o
olhar, é uma maldição que terminará em
tragédia.
Já
a Inveja, tema da saga que abre o filme, tem
como protagonistas uma bela jovem (Liliana
Castro) que passa a ser seguida por uma mulher
mais velha (Maria Lúcia Dahl) até sua
entrada num salão de beleza.
Essa
mulher madura, que já foi muito bela,
confronta a moça dizendo-lhe que a beleza não
é eterna e que o tempo cobra seu preço.
O
filme tem boa fotografia e trilha sonora, e
compensa a pouca experiência do elenco mais
jovem com a participação de alguns atores
tarimbados, como Walmor Chagas e Jonas Bloch.
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