|
Quem merece destaque no cenário eletrônico
mineiro. E a produção musical, alguma
novidade?
Todos
os djs que levam o seu trabalho a sério
merecem destaque. E são muitos. Mas ainda
falta incentivo, investimento,
profissionalismo e lugares com noites fixas
tanto para djs com mais estrada como para
abrir mais espaço aos novos djs. Gosto das
produções do Menorah e do Daniel D. Tenho
gastado a maior parte do meu tempo trabalhando
em várias músicas novas, já são mais de 12
prontas e apenas duas foram lançadas (coletânea
Muquifo Records – Organização Sintético
– e outra coletânea muito legal, a
“cancion electronica” da Argentina -
http://www.cancionelectronica.com.ar
).Tem muita gente produzindo coisa boa. BH vai
dar bons frutos na área de produção
musical.
O que é a Remédio. Qual era o objetivo
inicial do projeto?
A
Remédio nasceu em uma época onde existia
pouca (ou nenhuma) opção de festas de médio
e pequeno porte. Era uma época de mega festas
e de um som muito pesado, poucas eram as
festas onde se tocava house music.
Principalmente a noite toda. A Remédio veio a
ser uma alternativa, dando total liberdade aos
djs de tocar o que quiserem. A idéia básica
é lembrar a todos que estamos nisso tudo por
causa da MUSICA e uma das maneiras de passar
isso para o publico é essa. A quarta edição
do evento acontece no próximo dia 28 de junho
com Nego Moçambique, Fog, Robinho e eu. A
festa continua com a mesma filosofia de ser
uma festa de pequeno/médio pote, com
excelente infra estrutura, muita animação e
dando total liberdade ao dj.
Porque Nego Moçambique dessa vez?
O
cara é de Brasília e toca uma mistura de
breaks funkeados com muita influencia de
house. Apresentou-se recentemente em Belo
Horizonte durante o Eletronika 2003. Quando o
vi tocando, pensei: ‘é esse tipo de
apresentação que eu quero na Remédio!’
Particularmente o considero o melhor Live PA
do Brasil. Ele é muito talentoso e bastante
original.
Como
se dá a escolha do line-up?
O
line-up é o coração da festa. Não que ele
seja, sozinho, capaz de fazer qualquer festa
funcionar, mas sim porque é através da
música que você consegue passar ao público
a idéia e o motivo daquilo tudo. Tento ser o
mais fiel possível. Tem que ter diversão com
informação.
Quem negocia/gerencia seu contatos e eventos?
Eu,
eu e eu . Negocio os eventos e datas. A única
ajuda que recebo é do público quando vou
tocar em algum lugar e a noite é maravilhosa
e faz tudo isso valer a pena.
Como foi o início da carreira. E a Freakout?
O
início de qualquer coisa é sempre difícil.
A Freakout era uma festa realizada por amigos.
Cada um de uma área (design , moda , musica,
etc). Era legal, bem despreocupada. Nessa época
eu só tocava jazz, funk e acid jazz. Era bem
divertido!
O que mudou em você, no seu estilo?
A
principal mudança é que tocar agora é uma
coisa bem mais natural do que os sets com frio
na barriga do passado e hoje eu sei exatamente
do que gosto e o que pretendo com isso. O
movimento continua o mesmo de sempre : dividir
com as pessoas as musicas que eu mais amo.
A tendência do house é ficar cada vez mais
tech, calando os vocais de uma vez por todas?
NÃAAAAAAO!
MIL VEZES NAO!!! Para mim a tendência do
house é ficar cada vez mais funk, mais negro!
Com vocais ou não. Uma mistura de black music
com house (que não deixa de ser black ) bpm’s
baixos, muito groove e muito soul!
Há muitos profissionais mineiros tocando em
SP. Como você sente a pista, o envolvimento
do público...
Acho
o publico de BH mais animado, mais relaxado.
Em São Paulo a noite é mais profissional,
mas o público mineiro tem uma maneira de se
divertir e demonstrar que está se divertindo
que é única e eu acho isso maravilhoso! É
isso que faz com que djs como Asad Rizvi e
Mike Parsons, se apaixonarem por Belo
Horizonte. Não é à toa que o novo disco do
dj alemão Alexander Kowalski chama-se Belo
Horizonte.
E
a receptividade dos profissionais?
É
difícil desenvolver uma carreira em outra
cidade. Mas São Paulo tem suas facilidades:
as pessoas são mais profissionais (clubes,
promoters, equipes de som) o que faz com que o
nosso trabalho seja mais tranqüilo. Sem
maiores surpresas ou desgastes desnecessários.
Em 2002 houve muitas festas só de house, ou só
de techno, ou só de dnb e por aí vai...
Segmentar a coisa numa cidade como BHz é o
caminho?
Esse
é o caminho natural. Cada um possui um gosto
musical e vai procurar aquele tipo de evento.
Antes tudo era mais misturado... o que também
era legal mas hoje a segmentação é forte e
também não deixou de ser legal. Criou-se um
publico, pequeno, de todos os estilos
musicais. E isso é excelente!
Movimento Balanço e Electro. Como você
avalia isso. Pode-se considerar modismo?
Hummm...
o Movimento Balanço é um evento basicamente
de Black Music (nacional ou não) o samba-rock
virou moda sim, mas por outro lado acho muito
legal que pessoas que não tiveram contato com
Tim Maia, Jorge Ben, Trio Mocotó, banda Black
Rio o tenham agora. Eu sempre gostei de
Electro. Mas gostava do Electro de Detroit:
sujo, negro, funkeado, espacial. Não gosto
muito da onda retrô 80. Isso me dá preguiça.
Acho que existem EXCELENTES musicas com som
retrô e influências dos anos 80 e 90 mas
acho que transformar isso em um movimento é
besteira.
A mídia tem explorado bastante o universo
eletrônico. A presença de djs renomados
nacionalmente são cada vez mais constantes em
eventos de grande porte. Essa popularização
ajuda ou pode ser consumido rapidamente e logo
descartado?
Ajuda
por um lado, pois leva grandes públicos aos
eventos. Mas atrapalha por outro pois são
sempre os mesmos djs que tocam nos maiores
eventos no Brasil todo.
Por
que as raves atraem tanta gente? Até pessoas
alheias à cultura eletrônica sente-se
fascinadas.
É
um evento onde, para a maioria, o maior
atrativo não é a música e sim as pessoas
que ali estão, o local do evento e a
possibilidade de fazer parte de um grupo. A idéia
normalmente é melhor do que a execução e
isso faz com que as raves sejam grandes repetições
de varias festas bem parecidas.
Como você descreve o universo eletrônico? Há
uma ideologia por traz disso tudo?
É
diferente no house, no techno, no dnb. Acho
que a ideologia por traz disso tudo é a
musica e a diversão. Musica boa, com informação
e boa diversão: tá lindo !
Se você estivesse na rádio ou tv, o que
tocaria?
Eu
vivi minha infância escutando radio. Minha mãe
sempre deixava um radio ligado embaixo do meu
berço. Tocava sempre jazz ou musica
brasileira. Hoje infelizmente, não consigo
escutar nem 3 minutos de rádio. Eu adoraria
ter um programa em uma rádio independente.
Poder tocar coisas que são excelentes e nunca
tocam em nenhuma rádio. A televisão nunca
foi tão ruim! Me dá nojo ligar a tv à tarde
e assistir aos canais abertos. A tv brasileira
ficou muito imediatista.
O que você ouve em casa?
De
tudo um pouco. Muito jazz, downtempo, house,
hip hop, funk, dub, break beats...
Projetos?
Quero
cada vez investir mais tempo a produção
musical, ao projeto Remédio além de lançar
algumas musicas em vinil em breve.
Você gosta do Rio? Nessa foto você estava
tocando na praia, como foi isso?
Eu
gosto muito do Rio. É um lugar com muitas
influências musicais.Tem excelentes djs e
produtores, além de um enorme potencial de
ser uma referência mundial para musica eletrônica.
Durante o Carnaval, toquei em 4 lugares muito
legais lá. Incluindo o Zero Zero que é muito
bacana. Essa foto foi do fim do set. Com o sol
nascendo, gaivotas voando e todo mundo
tentando fugir do calor, que ja era infernal.
|