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::: Entrevista: DJ Filipe Forattini


O dj Felipe Forattini!Quem merece destaque no cenário eletrônico mineiro. E a produção musical, alguma novidade?

 Todos os djs que levam o seu trabalho a sério merecem destaque. E são muitos. Mas ainda falta incentivo, investimento, profissionalismo e lugares com noites fixas tanto para djs com mais estrada como para abrir mais espaço aos novos djs. Gosto das produções do Menorah e do Daniel D. Tenho gastado a maior parte do meu tempo trabalhando em várias músicas novas, já são mais de 12 prontas e apenas duas foram lançadas (coletânea Muquifo Records – Organização Sintético – e outra coletânea muito legal, a “cancion electronica”  da Argentina - http://www.cancionelectronica.com.ar ).Tem muita gente produzindo coisa boa. BH vai dar bons frutos na área de produção musical.

 O que é a Remédio. Qual era o objetivo inicial do projeto?

A Remédio nasceu em uma época onde existia pouca (ou nenhuma) opção de festas de médio e pequeno porte. Era uma época de mega festas e de um som muito pesado, poucas eram as festas onde se tocava house music. Principalmente a noite toda. A Remédio veio a ser uma alternativa, dando total liberdade aos djs de tocar o que quiserem. A idéia básica é lembrar a todos que estamos nisso tudo por causa da MUSICA e uma das maneiras de passar isso para o publico é essa. A quarta edição do evento acontece no próximo dia 28 de junho com Nego Moçambique, Fog, Robinho e eu. A festa continua com a mesma filosofia de ser uma festa de pequeno/médio pote, com excelente infra estrutura, muita animação e dando total liberdade ao dj. 

Porque Nego Moçambique dessa vez?

O cara é de Brasília e toca uma mistura de breaks funkeados com muita influencia de house. Apresentou-se recentemente em Belo Horizonte durante o Eletronika 2003. Quando o vi tocando, pensei: ‘é esse tipo de apresentação que eu quero na Remédio!’ Particularmente o considero o melhor Live PA do Brasil. Ele é muito talentoso e bastante original.

 Como se dá a escolha do line-up?

O line-up é o coração da festa. Não que ele seja, sozinho, capaz de fazer qualquer festa funcionar,  mas sim porque é através da música que você consegue passar ao público a idéia e o motivo daquilo tudo. Tento ser o mais fiel possível. Tem que ter diversão com informação.

 Quem negocia/gerencia seu contatos e eventos?

Eu, eu e eu . Negocio os eventos e datas. A única ajuda que recebo é do público quando vou tocar em algum lugar e a noite é maravilhosa e faz tudo isso valer a pena.

 Como foi o início da carreira. E a Freakout?

O início de qualquer coisa é sempre difícil. A Freakout era uma festa realizada por amigos. Cada um de uma área (design , moda , musica, etc). Era legal, bem despreocupada. Nessa época eu só tocava jazz, funk e acid jazz. Era bem divertido!

 O que mudou em você, no seu estilo?

A principal mudança é que tocar agora é uma coisa bem mais natural do que os sets com frio na barriga do passado e hoje eu sei exatamente do que gosto e o que pretendo com isso. O movimento continua o mesmo de sempre : dividir com as pessoas as musicas que eu mais amo.

A tendência do house é ficar cada vez mais tech, calando os vocais de uma vez por todas?

NÃAAAAAAO! MIL VEZES NAO!!! Para mim a tendência do house é ficar cada vez mais funk, mais negro! Com vocais ou não. Uma mistura de black music com house (que não deixa de ser black ) bpm’s baixos, muito groove e muito soul!

 Há muitos profissionais mineiros tocando em SP. Como você sente a pista, o envolvimento do público...

Acho o publico de BH mais animado, mais relaxado. Em São Paulo a noite é mais profissional, mas o público mineiro tem uma maneira de se divertir e demonstrar que está se divertindo que é única e eu acho isso maravilhoso! É isso que faz com que djs como Asad Rizvi e Mike Parsons, se apaixonarem por Belo Horizonte. Não é à toa que o novo disco do dj alemão Alexander Kowalski chama-se Belo Horizonte.

 E a receptividade dos profissionais?

É difícil desenvolver uma carreira em outra cidade. Mas São Paulo tem suas facilidades: as pessoas são mais profissionais (clubes, promoters, equipes de som) o que faz com que o nosso trabalho seja mais tranqüilo. Sem maiores surpresas ou desgastes desnecessários.

 Em 2002 houve muitas festas só de house, ou só de techno, ou só de dnb e por aí vai... Segmentar a coisa numa cidade como BHz é o caminho?

Esse é o caminho natural. Cada um possui um gosto musical e vai procurar aquele tipo de evento. Antes tudo era mais misturado... o que também era legal mas hoje a segmentação é forte e também não deixou de ser legal. Criou-se um publico, pequeno, de todos os estilos musicais. E isso é excelente!

 Movimento Balanço e Electro. Como você avalia isso. Pode-se considerar modismo?

Hummm... o Movimento Balanço é um evento basicamente de Black Music (nacional ou não) o samba-rock virou moda sim, mas por outro lado acho muito legal que pessoas que não tiveram contato com Tim Maia, Jorge Ben, Trio Mocotó, banda Black Rio o tenham agora. Eu sempre gostei de Electro. Mas gostava do Electro de Detroit: sujo, negro, funkeado, espacial. Não gosto muito da onda retrô 80. Isso me dá preguiça. Acho que existem EXCELENTES musicas com som retrô e influências dos anos 80 e 90 mas acho que transformar isso em um movimento é besteira.

 A mídia tem explorado bastante o universo eletrônico. A presença de djs renomados nacionalmente são cada vez mais constantes em eventos de grande porte. Essa popularização ajuda ou pode ser consumido rapidamente e logo descartado?

Ajuda por um lado, pois leva grandes públicos aos eventos. Mas atrapalha por outro pois são sempre os mesmos djs que tocam nos maiores eventos no Brasil todo.

 Por que as raves atraem tanta gente? Até pessoas alheias à cultura eletrônica sente-se fascinadas.

É um evento onde, para a maioria, o maior atrativo não é a música e sim as pessoas que ali estão, o local do evento e a possibilidade de fazer parte de um grupo. A idéia normalmente é melhor do que a execução e isso faz com que as raves sejam grandes repetições de varias festas bem parecidas.

Como você descreve o universo eletrônico? Há uma ideologia por traz disso tudo?

É diferente no house, no techno, no dnb. Acho que a ideologia por traz disso tudo é a musica e a diversão. Musica boa, com informação e boa diversão: tá lindo !

 Se você estivesse na rádio ou tv, o que tocaria?

Eu vivi minha infância escutando radio. Minha mãe sempre deixava um radio ligado embaixo do meu berço. Tocava sempre jazz ou musica brasileira. Hoje infelizmente, não consigo escutar nem 3 minutos de rádio. Eu adoraria ter um programa em uma rádio independente. Poder tocar coisas que são excelentes e nunca tocam em nenhuma rádio. A televisão nunca foi tão ruim! Me dá nojo ligar a tv à tarde e assistir aos canais abertos. A tv brasileira ficou muito imediatista.

O que você ouve em casa?

De tudo um pouco. Muito jazz, downtempo, house, hip hop, funk, dub, break beats...

 Projetos?

Quero cada vez investir mais tempo a produção musical, ao projeto Remédio além de lançar algumas musicas em vinil em breve.

Você gosta do Rio? Nessa foto você estava tocando na praia, como foi isso?

Eu gosto muito do Rio. É um lugar com muitas influências musicais.Tem excelentes djs e produtores, além de um enorme potencial de ser uma referência mundial para musica eletrônica. Durante o Carnaval, toquei em 4 lugares muito legais lá. Incluindo o Zero Zero que é muito bacana. Essa foto foi do fim do set. Com o sol nascendo, gaivotas voando e todo mundo tentando fugir do calor, que ja era infernal.

 

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