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 ENERGÉTICOS
ENERGÉTICOS: O COMBUSTÍVEL DA NOITE

Muito comum nas boates da moda, estantes de supermercados, bares, botecos, restaurantes e postos de conveniência, os energéticos conquistaram os jovens. Eles procuram a fórmula mágica do espinafre do Popeye e da poção dos Ursinhos Gummie e do Asterix para poder chacoalhar e pular a noite toda sem cansar. Mas, será mesmo que os Energy Drinks conseguem alcançar essa façanha?

Para analisar os efeitos, vamos aos fatos reais: Numa latinha de um quarto de litro, há 80 miligramas de cafeína - estimulante, o mesmo que uma xícara de café expresso; 1000 mg de taurina - aminoácido desintoxicante e estimulante; 600 mg de glucuraronolactona - desintoxicante; 25 mg de niacina - faz bem para a pele e reduz a produção de gordura. Mas não se engane! Não pense que é bom para emagrecer, pois uma latinha possui, em média, 112 kcal! Possui ainda vitaminas B e carboidratos.

A Taurina é um aminoácido conhecido há muito tempo, que no entanto tem merecido uma série de pesquisas recentes, conforme afirma a Psicóloga Dr. Edna Duarte. Ela é essencial ao organismo e seu excesso não causa problemas, pois é naturalmente eliminada do corpo. Já a cafeína é um pouco mais perigosa, segundo o Dr. Paulilo, cardiologista há 28 anos, "A pessoa pega o costume - que pode ser chamado de dependência leve - de tomar o cafezinho após as refeições, beber a coca-cola na janta e tomar um energético toda vez que sai. O aumento da forca muscular, que dá a sensação de super-homem é temporária, a hora que acaba o efeito, a pessoa se sente um lixo, exatamente porque esta usando a reserva de energia que serve para recompôr"

Outro grande problema é questão do consumo de quem já sofre de alterações cardíacas. A cafeína aumenta a forca de contração e a freqüência cardíaca, conduzindo arritmias, taquicardias, aumentando e muito a necessidade de oxigênio. Se a pessoa sofrer de algum problema, pode vir a enfartar, ter taquicardias graves, de vários tipos, podendo chegar à morte, sim!

Somando todas as substâncias, chegamos a um resultado meio diferente do sugerido nas propagandas. Na verdade, essas bebidas não dão energia, elas passam a sensação de energia. Para fornecer energia, a bebida tem que ter algum componente calórico, como gordura, proteína ou carboidrato. E os energéticos não têm quase nada desses componentes: ao contrário das bebidas à base de carboidratos, eles não repõem a energia que a pessoa gasta, dando somente uma ilusão de bem-estar. O nome é inadequado: a bebida deveria se chamar estimulante, porque age somente no sistema nervoso. Energético é comer um macarrão, tomar um açaí, alguma coisa que dá calorias e repõe realmente a energia gasta.

Mas não é por isso que há algum problema em tomar energéticos. A bebida por si só não causa dependência, e beber só energético a noite inteira é como beber grandes quantidades de café ou coca-cola. Se você é daqueles que pensam que ao beber uma latinha dessa de R$ 5 (ou mais) e vai sair voando, pode esperar que o Papai Noel também vai chegar na noite de Natal! Só a partir da terceira dose os efeitos prometidos nas propagandas ficam perceptíveis. Não só os bons como os ruins também.

Houve uma época em que o Ministério da Saúde queria proibir a comercialização desse produto no Brasil. Imaginaram que podia ser a versão enlatada de algum alucinógeno. Feitos os testes, descartou-se a hipótese, mas os técnicos encasquetaram com a quantidade de cafeína presente na fórmula. Acabaram proibindo a venda dos energéticos no fim do ano de 1999 e tiraram 300 mil latinhas importadas das pistas de dança. Quanta bobagem! Com tanta irregularidade no comércio de alimentos por aí, perderam tempo com algo que faz tanto sucesso hoje em dia e nunca trouxe problema de saúde para ninguém. A não ser que o sujeito ingira 20 latas de uma só vez, não corre grandes riscos, apenas eventuais enjôos, náuseas, vômitos e dores abdominais.

Quanto à mistura de energético e álcool, bem comum nas danceterias, não são recomendadas pelos nutricionistas. Isso porque ao ingerir um drink desse tipo, você está recebendo duas mensagens contraditórias: um estímulo, que vem da cafeína e da taurina, e um depressor, que vem do álcool. Apesar disso, um não anula o outro: O fígado dá prioridade ao metabolismo do álcool, enquanto a cafeína fica circulando na corrente sangüínea. Misturar não é legal nem para o coração nem para o cérebro. Fica uma coisa meio maluca na cabeça e no organismo. Além de causar esse "stress metabólico", a mistura é usada como uma tática para quem não está acostumado a beber. O sabor adocicado disfarça o sabor do álcool, e a pessoa acaba bebendo mais.

A bebida é invenção do empresário austríaco Dieter Mateschitz. Em 1989, ele importou do Japão um xarope usado contra o sono. A partir daí, criou a Red Bull, que tinha por objetivo deixar os consumidores, sobretudo os esportistas, "ligados". Foi sucesso total! Na Europa, onde a Red Bull é patrocinadora da Fórmula 1, há mais de sessenta marcas da bebida. No ano passado, o FDA, a rigorosa agência de controle de remédios e alimentos dos EUA, autorizou o comércio livre da Red Bull nas lojas americanas. Lá, em média, consome-se 1 milhão de latinhas por mês.

 

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