| ELES
DÃO DURO... POR VOCÊS
Balada
é sinônimo de diversão. Hora de pirar no
som, na bebida e na batalha por uma boa
companhia, certo? Péééé. Errado! Pelo
menos para essa galera que nós conhecemos
essa semana, que fica atrás de balcões, na
porta, nos palcos, enfim, nos bastidores das
casas noturnas. Das casas mais requintadas aos
pés-sujos mais obscuros, sempre tem alguém
servindo e trabalhando pela diversão alheia.
O
batalhão é grande: entre bartender, caixa,
garçonetes, hostess, seguranças, gerente, dj,
performers, promotoras de eventos (aquelas que
fazem a divulgação de produtos) e a equipe
de limpeza, uma casa de médio porte abriga em
uma noite 50 pessoas em média. É uma grande
responsabilidade para uma casa noturna
sustentar tanta gente. E nesse abre-e-fecha de
lugares que acontece por aí, imagina o que não
tem de gente pulando de galho em galho...
Não
é raro frequentar um barzinho pelo
atendimento e a amizade com o garçon ou com o
gerente, da mesma forma que depois de ser mal
atendido todo mundo solta o famoso:
"Nunca mais volto aqui!". Os funcionários
acabam dando a cara do estabelecimento. Por
mais que a decoração, o estilo e a divulgação
em cima do lugar sejam importantes, quem vai
sustentar a clientela e criar frequentadores
fiéis são os funcionários. E dá-lhe
trabalho duro!
Será
que não é chato ficar trabalhando enquanto
está todo mundo curtindo? A resposta é
imediata e (quase) unânime "Mesmo
trabalhando a gente acaba se
divertindo!", conforme Elaine Fernandes,
há 6 meses trabalhando como garçonete de uma
casa bem badalada de Sampa. Já o experiente
gerente Hélio acha que diversão e trabalho não
podem se misturar, "ninguém está aqui
brincando. Se for ver, são quase 40 famílias
que dependem da casa, por que levar na
brincadeira?". Ok, mas para quem gosta de
balada é inevitável curtir, né não, Hélio?
"A minha cabeça está voltada para outro
tipo de diversão...". Ah, então tá
explicado.
Mas
falando sério, o profissionalismo é
fundamental, senão vira aquela bagunça,
filas gigantescas na porta, todo mundo te
tratando mal e aquilo vai te irritando tanto
que a noite acaba ficando péssima. E o
objetivo de todo mundo à noite é se
divertir, porque para ficar nervoso, já temos
o dia todo. A equipe do gerente Hélio é uma
das mais bacanas da noite paulista e não há
como não se render à simpatia dessa galera.
O resultado disso é que todo mundo acaba
voltando... Essa é uma boa lição para os
empresários da noite que ainda acham que carão
e door police ainda funcionam como um bom
marketing.
O
ambiente é propício para conhecer gente e,
claro, paquerar. Rola? Sim, muito
discretamente, mas rola. Afinal, se não for lá,
quando sobra tempo para encontrar um amor?
Muita gente "usa" desse artifício
para entrar naquela listinha VIP ou beber de
graça, o que é uma injustiça! Mas também
tem gente que curte um bom papo e acaba
engatando grandes amizades com quem está
trabalhando no point. "Todos os meu
amigos eu conheci no trabalho", conta
Leda, que é "garota propaganda" de
diversas marcas em festas e eventos.
Tudo
muito legal, mas será que não tem nada chato
em ser um operário da night? "O pior
acho que é em relação à família. Eles estão
sempre adaptando as festas ao meu horário!"
conta o caixa Alan. O fator SONO também
perturba a galera, como conta Neuza, tiazinha
do banheiro feminino. "A pior coisa são
as pessoas que chegam de dia na minha casa
para ficar me acordando!". Para a
percussionista Patrícia Alvarez, que trabalha
por conta própria, a situação dica ainda
mais complicada: "Se ficar doente, não
tem grana!". O jeito é cuidar da saúde...
Para
compensar todas as agruras que nossos amigo
passam, a recompensa vem no fim do mês. É,
segundo nossos depoentes, o salário é
compensador. A hostess Lilian, que encara uma
dupla jornada e é pedagoga durante o dia,
revela: "É um salário muito bom, melhor
que o de professora, isso eu garanto".
Também, para aguentar frequentadores malas,
os horários invertidos e até um som que pode
não ser seu predileto rolando a noite toda, a
grana tem que ser um atrativo.
Por
isso, fica aqui a nossa homenagem a essa
galera que, pobrezinhos, muitas vezes são
ignorados ou até maltratados pelos baladeiros.
Abra seu coração e à partir da próxima
balada, preste atenção e converse com a
galera gente boa que está dando duro para sua
noite ser genial!
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