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::: O mundo digital e a América do medo!
Já em cartaz em praticamente todo o Brasil, duas obras dissonantes sobre a cultura da violência, a tecnologia e o medo. A primeira delas é o Mega-Arrasa-Quarteirão, Matrix Reloaded. O segundo filme da trilogia digital, oscarizada por seus efeitos-especiais, volta nessa segunda parte com mais violência e, obviamente mais efeitos digitais de última geração, um simples exemplo disso e a absurda seqüência da perseguição na rodovia, de tirar o fôlego e deixar qualquer um zonzo, sem falar nas cenas de luta.

Com o astro Keanu Reeves, no papel de Neo, a série continua com seu ar cool, de figurinos futuristas e de cores escuras. Keanu, que já afirmou gostar de meninos e meninas, é a cara de Matrix, esbanjando um interessante charme gélido, dark. Puro "entretenimento cult", o filme deixa o final em aberto para a terceira parte da trilogia, Matrix Revolution, que estréia em todo o planeta, no dia 15 de novembro desse ano.

O outro filme é o multi-premiado documentário do norte-americano Michael Moore, Tiros em Columbine (Bowling for Columbine, 2002) O famoso e polêmico Moore, um simpático gorducho, traça um vasto painel sobre a cultura do medo e da violência nos EUA, onde as armas de fogo são uma realidade constante e os crimes cometidos por elas são absurdos. O tema central do documentário é o massacre ocorrido em 1999, na escola de Columbine, uma pacata cidadezinha no coração dos EUA. Dois garotos dispararam 900 tiros sobre seus colegas, matando doze pessoas, onze alunos e um professor. 

A culpa, caiu me cima de muitos alvos, como o bizarro e andrógino roqueiro Marilyn Manson, que é entrevistado por Morre no documentário. A histórica cultura do medo e do pânico e a farta distribuição e venda de armas de fogo nos EUA são severamente criticados o tempo todo de forma inteligente e em muitos momentos, bem humorada. Absolutamente imperdível, Tiros em Columbine é uma obra-prima, aclamada pelo público, principalmente o europeu, (os modernos de lá adoraram), e que recebeu o Oscar de Melhor Documentário de 2003, com um polêmico discurso Anti-Busch de Michael Moore, quando este recebeu a estatueta dourada.

E falando no massacre da escola de Columbine, o diretor gay norte-americano, Gus Van Sant, ganhou a Palma de Ouro de melhor filme e direção no recentemente encerrado Festival de Cannes 2003. O filme, intitulado Elephant, foi ovacionado pelos modernos que já o assistiram, conta a história de garotos que preparam uma matança em sua ecola, numa pacata cidadezinha no coração dos EUA.

Para finalizar, uma pérola do sublime cinema iraniano chega até nós, Baran, do sensível diretor Majid Majidi. Nesse drama sobre trabalhadores ilegais do Afeganistão, dentro do Irã, o filme mostra o repentino fascínio de um homem da construção civil que descobre o misterioso segredo de um jovem trabalhador afegão. Driblando com sutileza a rígida censura dos Aiatolás o filme consegue tocar em temas tabu como o travestismo e a homossexualidade reprimida, com toda a beleza e delicadeza que o cinema de poesia do Irá tem nos brindado nos últimos anos. Destaque para a beleza exótica da atriz Zabra Bahram.

E "A Festa Nunca Termina"

Finalmente teremos acesso ao delicioso filme do moderníssimo diretor britânico Michael Winterbotton, 24 HOUR PARTY PEOPLE, cujo título brasileiro é A FESTA NUNCA TERMINA.
O filme narra as aventuras e desventuras dos jovens da cidade inglesa de Manchester, desde o primeiro show da banda Punk
SEX PISTOLS em 1976, para um público minúsculo, até as enlouquecidas RAVES do início dos anos 90. 

A cidade que deu ao mundo uma cena musical de onde surgiram bandas como NEW ORDER, é uma das responsáveis pela difusão mundial do moderno pop britânico e da música eletrônica. Era em Manchester que ficava o maravilhoso club HACIENDA, e muita loucura, sexo, drogas e modernidade fizeram parte da vida das personagens desse filme imperdível.

Para os que viveram os anos 80, o filme é pura nostalgia, e para os novos clubbers que descobriram as batidas eletrônicas daqueles tempos áureos através da popularização do ELECTRO de Djs como TIGA e MISS KITTIN, é uma oportunidade de ver uma das fontes dessa febre que varre as pistas em todo o mundo atualmente. Em tempo, o maravilhoso Winterbotton, ganhou o Leão de Ouro de Melhor Filme no Festival de Berlim de 2003, com seu último trabalho, o polêmico IN THIS WORLD, sobre jovens Afegãos e Paquistaneses que tentam imigrar ilegalmente para a Inglaterra.

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