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Quentin
Tarantino
é dos poucos cineastas que criam novos
gêneros. Seu quarto filme
Kill
Bill: Volume 1 tem
todas a qualidades das produções anteriores
e acrescenta novas fontes de inspiração: o
faroeste italiano e os filmes de samurai e
kung fu. O humor também aparece em doses
cínicas e clínicas. Mas o filme é de uma
violência que cansa, incomoda e não chega -
como nos anteriores - a transformar o
incômodo em diversão. Além disso, Tarantino
parece armar uma enciclopédia de
referências, das roupas dos atores às
canções da trilha sonora. Decodificar
referências é um dos prazeres pós-modernos
dos filmes de Mr. Quentin.
Segundo os viciados em Tarantino, há nada
menos que 90 citações de títulos de filmes
de kung fu, outras dezenas de canções de
seriados de TV, trajes e roupas (de capotes e
tapa-olhos) que prestam reverência a
Hitchcock (Marnie)
e Bruce Lee (Jogo
da Morte). É muita cultura. Mas cultura
inútil.
Kill Bill foi dividido em dois volumes pelo
tamanho e excesso de violência. No primeiro
volume ficamos sabendo das motivações da
personagem central, a Noiva, e do início de
seu périplo de vinganças. Depois de sofrer
um atentado armado no ensaio de seu casamento
pelo Esquadrão Assassino das Víboras
Mortais, a Noiva (seu nome verdadeiro não é
falado, substituído por uma campainha de
censura), vivida por Uma Thurman, com um tiro
na cabeça, vai parar num hospital, dada por
morta.
Acordada de um coma quatro anos depois pela
picada de um pernilongo, ela começa a
matança. A partir daí é só violência,
luta de espadas, sangue jorrando como de
mangueiras de bombeiros. A linguagem não
imita apenas o estilo dos HQs e animes: há
uma seqüência inteira em animação, quando
a personagem de Lucy Liu testemunha a morte do
pai e, como vingança, galga todos os postos
da yakuza japonesa até se tornar a maioral.
Liu é uma das víboras que será morta pela
Noiva. São braços e cabeças que rolam o
tempo todo. Parafraseando a pergunta de
Caetano em Alegria, Alegria: quem gosta de
tanta violência? Resposta: Tarantino, seus
atores, a maior parte da crítica e seu
público (que se conta aos milhões). Tem
gosto para tudo no mundo.
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