Milhões saem às ruas contra Trump em protestos históricos nos EUA
Sob o lema “No Kings”, manifestações reuniram
até 9 milhões de pessoas em todos os 50 estados
norte-americanos e em diversos países,
denunciando autoritarismo, guerra e retrocessos
democráticos
Milhões de pessoas tomaram as ruas dos Estados
Unidos neste sábado (28) em uma das maiores
jornadas de protesto da história recente contra
o presidente Donald Trump. Estima-se que até 9
milhões de manifestantes tenham participado de
mais de 3.100 atos registrados em todos os
estados norte-americanos, além de mobilizações
em mais de uma dezena de países.
Os
protestos, organizados sob o lema “No Kings”
(“Sem reis”), denunciaram o avanço autoritário
da Casa Branca, a escalada militar contra o Irã,
a repressão a imigrantes e o ambiente de
deterioração democrática impulsionado pela
extrema-direita.
Minnesota vira símbolo da resistência
O
epicentro das manifestações foi St. Paul, em
Minnesota, estado que se tornou referência após
a morte de Renee Good e Alex Pretti, atingidos
por agentes federais em ações ligadas à política
migratória. O episódio desencadeou revolta
popular e mobilizações contínuas.
Mais de 200 mil pessoas se reuniram no entorno
do Capitólio estadual, superando os números da
Marcha das Mulheres de 2017.
O
músico Bruce Springsteen apresentou a canção
“Streets of Minneapolis”, composta em resposta
às mortes, e declarou: “Este pesadelo
reacionário não vai prevalecer”. Joan Baez, Jane
Fonda e o senador Bernie Sanders também marcaram
presença.
Mobilização nacional e internacional
As
manifestações ocorreram em grandes cidades como
Nova York, Chicago, Filadélfia e Washington, mas
também em pequenas localidades de estados
conservadores, evidenciando a amplitude da
rejeição às políticas de Trump.
Em
Washington, milhares marcharam do Lincoln
Memorial até o National Mall com cartazes como
“Regime change begins at home” (“A mudança de
regime começa em casa”).
No
exterior, protestos foram registrados em Roma,
Paris e Londres, com slogans contra a guerra e o
avanço da extrema-direita.
Criatividade e contestação
Os
atos também foram marcados por ações simbólicas
e satíricas, como bandeiras dos EUA invertidas e
fantasias que ironizavam o ICE (Serviço de
Imigração e Alfândega). Segundo os
organizadores, dois terços dos participantes
vieram de regiões fora dos grandes centros
urbanos, incluindo estados tradicionalmente
conservadores.
Um movimento de massa contra a extrema-direita
A
mobilização “No Kings” se consolida como um dos
maiores movimentos de contestação popular da
atualidade, reunindo multidões contra a guerra,
o autoritarismo e o avanço da extrema-direita
nos Estados Unidos e no mundo.